
Trabalhar sob pressão constante, ouvir humilhações ou receber tarefas que nunca cabem na jornada merece atenção. A saúde mental no trabalho precisa fazer parte da rotina de prevenção da empresa, e o trabalhador deve conhecer seus direitos para saber quando buscar ajuda.
A Justiça do Trabalho lançou, em setembro de 2026, uma cartilha sobre saúde mental e riscos psicossociais. O material reforça a importância de olhar para as condições em que o trabalho acontece e de prevenir situações que possam comprometer o bem-estar dos profissionais.
Os chamados riscos psicossociais estão ligados à maneira como o trabalho é organizado e conduzido. Sobrecarga, falta de apoio e práticas de gestão prejudiciais podem afetar a saúde do trabalhador.
Algumas situações merecem atenção:
– Humilhações, ameaças e exposição constrangedora diante dos colegas.
– Metas incompatíveis com os recursos e o tempo disponíveis.
– Excesso de tarefas e jornadas prolongadas de forma recorrente.
– Falta de apoio para realizar o trabalho e lidar com dificuldades.
É possível cobrar resultados e orientar a equipe de forma respeitosa. Para avaliar se houve abuso ou outra violação, é preciso observar o contexto e como as cobranças acontecem. O guia do Ministério do Trabalho explica esses fatores de risco.
Quais são os deveres da empresa
A empresa deve identificar os riscos relacionados ao trabalho, avaliar suas consequências e adotar medidas de prevenção. A NR-1 inclui expressamente os fatores de risco psicossociais nesse gerenciamento.
Na prática, isso exige olhar para a distribuição das tarefas, as condições de execução do serviço e a forma como a equipe é tratada. A empresa também deve informar os trabalhadores sobre os riscos e as medidas adotadas, ouvindo sua percepção sobre o ambiente. Consulte a NR-1 no Ministério do Trabalho.
Os limites da jornada, os intervalos e os períodos de descanso aplicáveis ao contrato também precisam ser observados. Cobranças de serviço fora do expediente merecem análise conforme a atividade e as condições do vínculo. A CLT disciplina a jornada e os descansos.
O trabalhador também participa da prevenção
O empregado deve cumprir as orientações legais de segurança, colaborar com as medidas preventivas e utilizar os equipamentos de proteção exigidos para sua atividade. Respeitar os colegas e comunicar situações de risco são atitudes que ajudam a construir um ambiente mais seguro.
Essa participação não transfere ao trabalhador a responsabilidade da empresa pela organização do trabalho. Os direitos e deveres estão previstos no item 1.4 da NR-
1.
O que fazer se o trabalho estiver afetando sua saúde
Se você está passando por uma situação difícil, alguns passos podem ajudar a organizar o que aconteceu e buscar orientação:
*Registre os fatos. Anote datas, situações, pessoas envolvidas e quem presenciou os acontecimentos.
*Guarde os documentos. Preserve mensagens, e-mails e registros de jornada aos quais você tenha acesso legítimo. Mantenha o contexto completo das conversas.
*Procure apoio de saúde. Se houver sofrimento ou prejuízo ao seu bem-estar, busque atendimento profissional e guarde os documentos recebidos.
*Busque orientação trabalhista. Uma consulta permite avaliar os fatos, os documentos disponíveis e os caminhos adequados ao seu caso. Antes de tomar uma decisão *sobre o contrato, como pedir demissão, esclareça as possíveis consequências.
Dúvidas frequentes sobre saúde mental no trabalho
Toda cobrança de metas é assédio moral?
Não. A cobrança de resultados deve ser analisada pela forma como ocorre e pelo contexto. Humilhações, ameaças e constrangimentos precisam ser avaliados com atenção.
Preciso esperar adoecer para procurar orientação?
Não. Você pode buscar uma consulta para esclarecer dúvidas e avaliar uma situação que já está acontecendo, mesmo sem diagnóstico ou afastamento.
Ter sofrido pressão no trabalho garante indenização?
Não há uma resposta automática. A existência de uma violação e as consequências jurídicas dependem dos fatos, das provas e dos requisitos aplicáveis ao caso.
Como procurar orientação trabalhista
Se você acredita que seus direitos foram desrespeitados, reúna os documentos disponíveis e procure orientação para entender sua situação.
O Lisboa Amorim — Advogados Associados atua em Direito Trabalhista. Para informações sobre consulta, entre em contato pelo WhatsApp (31) 98540-2336 ou pela página de contato do escritório.